A Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6x1 e reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas está parada no Senado. A matéria, aprovada pela Câmara no fim de maio, ainda não recebeu despacho do presidente da Casa para seguir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa necessária para o início da tramitação entre os senadores. Nos bastidores, parlamentares afirmam que a decisão de Alcolumbre tem sido protelada para evitar desgaste em ano eleitoral, embora exista expectativa de que o encaminhamento ocorra nos próximos dias.

Senadores consultados pelo portal destacam que a chegada formal do texto à CCJ deve desencadear audiências públicas e debates, e que há propostas paralelas a serem analisadas — entre elas uma iniciativa do líder da oposição, que prevê maior flexibilidade na negociação de jornadas entre empregadores e trabalhadores. Izalci Lucas afirmou que ainda não há calendário definido e que a tramitação tende a ser marcada por ampla discussão nas comissões.

O confronto é claro: enquanto a base governista pede celeridade para responder à demanda por redução da jornada, a oposição e parte do Congresso exigem avaliação técnica dos impactos econômicos. Efraim Filho defende que eventuais custos não sejam imputados apenas ao micro e pequeno empresário e sugere que medidas como desoneração da folha e redução de encargos integrem o debate. Do lado crítico, Omar Aziz aponta riscos à preservação de direitos se a flexibilização for excessiva, mas também vê potencial de melhora na qualidade de vida se a redução vier sem corte salarial.

A escolha de Alcolumbre sobre o despacho tem implicações políticas e econômicas: adiar a pauta pode reduzir um risco eleitoral imediato para a Casa, mas amplia pressão por transparência e por solução técnica sobre custos e compensações. Se a proposta avançar, o Senado terá de equilibrar demandas sociais com efeitos sobre emprego e despesas das empresas — um teste para a capacidade do Congresso de conciliar direitos trabalhistas e responsabilidade fiscal.