O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse nesta terça-feira (2/6) que a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 será analisada pela Casa "sem pressa". Alcolumbre afirmou que o Senado não atuará como mero "carimbador" das matérias aprovadas pela Câmara e defendeu uma discussão aprofundada, com leitura do texto, audiências e diálogo com trabalhadores e setores produtivos envolvidos.

Segundo o presidente, há divisão entre senadores sobre o rito: parte defende a criação de uma comissão especial, outros preferem envio direto ao plenário. A orientação da Presidência, porém, é de que a PEC tramite ao menos nas comissões temáticas, incluindo a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para organizar os próximos passos, Alcolumbre anunciou a convocação de reunião de líderes na próxima semana, com o objetivo de definir cronograma e regras de tramitação.

Além da agenda procedural, o presidente deixou claro que o Senado poderá promover alterações no texto. A expectativa de aperfeiçoamento sinalizada por Alcolumbre abre espaço para emendas que podem alterar impacto jurídico e financeiro da proposta — e, consequentemente, o equilíbrio político em torno do tema. A decisão de submeter a PEC a comissões deve alongar o calendário e intensificar a pressão de sindicatos, empregadores e bancadas interessadas, que tentarão influenciar o formato final.

Na prática, a postura do Senado torna-se um filtro institucional: ao ampliar a discussão, a Casa ganha poder de modulação sobre uma matéria sensível ao mercado de trabalho e ao custo fiscal. Para proponentes da PEC na Câmara, a tramitação mais lenta e sujeita a mudanças representa risco de desgaste político e necessidade de costurar acordos; para a oposição e categorias afetadas, é uma oportunidade de apresentar alternativas e buscar mitigação de efeitos. O encontro de líderes na semana que vem será o primeiro termômetro sobre prazos e intensidade do processo.