O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), lançou um recado que ressignifica as articulações no Congresso em torno de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo parlamentares ouvidos no Centrão, Alcolumbre disse a aliados que, se o Senado for demandado a abrir processo contra Moraes, haverá espaço para avaliar também eventuais representações contra André Mendonça — indicação do governo Bolsonaro ao Supremo.
A sinalização teve efeito imediato nas costuras políticas: colocar na mesa a hipótese de um 'impeachment cruzado' altera o cálculo de grupos que vinham pressionando por uma escalada contra Moraes. Para aliados do presidente do Senado, a estratégia funciona como instrumento de contenção — não uma decisão de fato de dar prosseguimento aos pedidos, mas uma forma de elevar o custo político de levar a disputa adiante.
O argumento de Alcolumbre se ancora no temor de que a abertura de processo contra um integrante do STF gere uma crise institucional ainda mais profunda. Parlamentares consultados avaliam que atingir dois ministros ao mesmo tempo envenenaria a relação entre os Poderes e ampliaria o desgaste político do Congresso. Na prática, a mensagem serviu para frear impulsos de ação imediata sem, contudo, encerrar o debate entre opositores e aliados do governo.
Apesar do recado, senadores como Carlos Viana (PSD-MG) e Alessandro Vieira (MDB-SE) mantêm pressões públicas pela investigação e formalização de representações. A movimentação evidencia a fragilidade do Senado em um momento de alta tensão com o Supremo: Alcolumbre controla a pauta e tem optado por usar esse poder para gerenciar riscos, enquanto o ambiente político segue marcado pela disputa de narrativas e pelo cálculo sobre quem pagará o preço político de uma crise institucional.