O ex-deputado e atual vereador de Cotia, Alexandre Frota, confirmou neste sábado (3/10) uma guinada política ao vestir vermelho e integrar caminhada pública de apoio ao presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo. A presença de Frota ao lado de militantes do PT e de candidaturas da base estadual — como Fernando Haddad e Marina Silva — tem valor simbólico: trata-se de um gesto explícito de ruptura com o passado bolsonarista que o elegeu deputado em 2018 pelo então PSL.

A trajetória descrita por Frota nos últimos anos reúne saltos partidários que ajudam a explicar o movimento: expulso do PSL em 2019 após críticas à gestão de Jair Bolsonaro, ele migrou ao PSDB, disputou sem sucesso mandato estadual em 2022, desistiu do partido quando este apoiou Bolsonaro no segundo turno e, em 2024, elegeu-se vereador pelo PDT em Cotia. Nesse percurso, o endosso público a Lula representa a conclusão de uma transição política que já vinha sendo sinalizada por suas escolhas partidárias e posicionamentos.

Politicamente, o gesto tem duas leituras imediatas. Para Lula e sua campanha, a adesão de um nome que já figurou entre os apoiadores de Bolsonaro permite arguir uma capacidade de atração de dissidentes e ampliar o relato de coalizão. Para a base bolsonarista, por outro lado, a saída de figuras como Frota complica a narrativa de coesão e pode ampliar desgaste entre eleitores que esperavam fidelidade de aliados históricos. Não se trata apenas de um simbolismo pessoal: movimentações assim reverberam em discursos e podem influenciar a percepção de indecisos e eleitores de centro.

A jogada também redesenha riscos e oportunidades eleitorais regionalmente. Em São Paulo, estado decisivo em eleições nacionais, a imagem de ex-aliados migrando para palanques opostos aumenta a agenda de temas sobre fidelidade partidária e volatilidade política — um ponto que ambos os campos vão explorar em campanhas. No tabuleiro mais amplo, a mudança de Frota sinaliza que pressões internas e desgastes podem continuar a reconfigurar alianças, obrigando partidos e candidatos a recalcular estratégias até o fechamento das urnas.