Em mais um capítulo da tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o bolsonarismo, o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) leu publicamente uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro na qual ele denuncia o que classifica como "perseguição política implacável" movida pelo ministro Alexandre de Moraes. A carta acusa Moraes de promover injustiças, prisões sem provas e tentativas de isolar o ex-presidente, impedindo-o até mesmo de se comunicar com familiares e aliados políticos.

Na carta, Bolsonaro afirma estar sendo vítima de um processo judicial que não respeita os princípios básicos do devido processo legal. "O que estamos vendo é uma afronta à justiça e à Constituição. Prisões sem provas, investigações sem fato determinado e um isolamento que viola os direitos políticos mais elementares", escreveu o ex-presidente. Flávio Bolsonaro, ao ler a carta, reforçou a tese de que Moraes não tem moral para julgar seu pai, citando supostas ligações do ministro com figuras do PT e alegações de corrupção envolvendo sua esposa.

"A perseguição política contra Bolsonaro por Alexandre de Moraes é uma afronta à justiça e à Constituição. Faltam provas e sobram ilegalidades. Moraes não tem moral para julgar."

Um dos pontos centrais da denúncia é a comparação entre o tratamento dado a Bolsonaro e a outros políticos, como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Flávio destacou a seletividade nas ações judiciais, apontando que enquanto aliados do PT são tratados com brandura, a família Bolsonaro enfrenta investigações rigorosas e medidas extremas. "A diferença de tratamento é escandalosa. Enquanto Haddad é solto e absolvido, Bolsonaro é impedido de falar com o próprio filho. Cadê a isonomia?", questionou o deputado.

A carta de Bolsonaro é vista por analistas como uma medida eleitoral calculada. Com a inelegibilidade do ex-presidente até 2030, a estratégia de Flávio é manter o nome do pai no centro do debate público, alimentando a narrativa de perseguição para mobilizar a base bolsonarista e transferir capital político para sua própria candidatura. O timing não é casual: às vésperas das eleições de 2026, cada ataque a Moraes serve para consolidar o campo conservador em torno de um inimigo comum — o STF e, em particular, o ministro Alexandre de Moraes.

Críticos de Moraes argumentam que suas decisões têm extrapolado os limites da função jurisdicional, transformando o STF em um ator político ativo. As alegações de corrupção envolvendo o ministro e sua esposa, que vêm sendo investigadas paralelamente, são usadas por seus opositores para questionar sua legitimidade para julgar casos envolvendo a família Bolsonaro. "Moraes não tem moral para julgar. Ele é parte interessada no processo político. Sua atuação é movida por viés ideológico, não por justiça", afirmou um dos aliados de Bolsonaro presentes na leitura da carta.

"Moraes não tem moral para julgar. A seletividade é evidente: Haddad é solto, Bolsonaro é isolado. Clamamos por justiça e isonomia. A perseguição tem nome, sobrenome e endereço."

O episódio promete acirrar ainda mais os ânimos no cenário político brasileiro. De um lado, os apoiadores de Bolsonaro enxergam na carta uma confirmação das suspeitas de que o STF atua como instrumento de perseguição política. De outro, defensores de Moraes e do STF argumentam que as ações do ministro são baseadas em provas e na necessidade de proteger a democracia contra ameaças institucionais. O que parece certo é que a polarização entre o campo bolsonarista e o STF está longe de um desfecho — e promete ser um dos temas centrais das eleições de 2026.