O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5/8) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro para 2026. A escolha, oficializada pelo PL, tem um significado político claro: reforçar a pauta de segurança pública que permanece central no discurso bolsonarista. Ao premiar um nome identificado com endurecimento de políticas de polícia, o partido busca consolidar suporte entre eleitores para quem a violência é prioridade.
Formado em Direito, Gaspar construiu longa trajetória no Ministério Público de Alagoas, chegando ao posto de procurador-geral de Justiça. Sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública do estado e a postura de linha-dura adotada no combate ao crime moldaram sua imagem pública. Em 2020 disputou a Prefeitura de Maceió e foi ao segundo turno; em 2022 elegeu-se deputado federal, inicialmente pelo União Brasil, filiando-se ao PL posteriormente. Na Câmara, integrou a chamada "bancada da bala" e priorizou pautas de endurecimento penal e segurança.
Politicamente, a escolha busca agregar um rótulo técnico e de gestão à chapa: a experiência de Gaspar em segurança é o principal argumento para ampliar o apelo entre conservadores preocupados com ordem pública. Ao mesmo tempo, essa opção contém limites. Apostar de forma tão explícita no tema tende a reafirmar a continuidade da marca Bolsonaro, o que pode dificultar a atração de eleitores moderados e parceiros centristas necessários a uma coalizão ampla.
Para 2026, o anúncio funciona como sinal estratégico do PL sobre prioridade de pauta, mas impõe uma equação a resolver na campanha: transformar credenciais de segurança em votos além do núcleo fiel sem descolar da agenda econômica e administrativa. Resta ver se o capital político e a notoriedade de Gaspar em segurança se traduzirão em expansão eleitoral ou se a escolha reforçará a narrativa já conhecida do bolsonarismo, estreitando espaço para alianças mais amplas.