O empresário e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy publicou nas redes sociais nesta terça-feira que o senador Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos em uma operação que, segundo ele, teve como articulador o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. Levy, que se apresenta publicamente como aliado próximo do movimento MAGA e de Donald Trump, disse ainda que a ação foi batizada de 'Operação Alba'. A informação foi replicada pela agência Reuters, mas até o momento não há confirmação oficial nem de autoridades brasileiras nem dos EUA.

A versão de Levy intensifica um impasse jurídico e político: o senador não teria entregue seus passaportes à Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em processo em que Flávio é investigado por lavagem de dinheiro. A decisão, que está em segredo de justiça, foi tornada pública pelo próprio parlamentar. A Polícia Federal cancelou os passaportes do senador em razão do descumprimento, segundo registros do processo; a assessoria de Flávio não retornou aos pedidos de esclarecimento, de acordo com a Agência Brasil.

Se confirmada, a saída de um parlamentar alvo de medidas judiciais para o exterior colocaria questões práticas e políticas imediatas: a efetividade das medidas cautelares, a capacidade do Estado brasileiro de restringir deslocamento de investigados e o potencial impacto diplomático caso haja (como afirma Levy) envolvimento de autoridades estrangeiras. É preciso, porém, distinguir o relato público de Levy — uma fonte com posicionamento político declarado — da versão verificada por órgãos oficiais. Até agora, o Itamaraty e o Departamento de Estado dos EUA não se manifestaram sobre a alegação.

Politicamente, a notícia já acende alerta no cenário nacional: por um lado, a narrativa de fuga poderia ser explorada pela oposição como símbolo de perseguição; por outro, levanta suspeitas sobre coordenação internacional em torno de um ator político sob investigação, o que tende a ampliar desgaste institucional. Caberá às autoridades responsáveis esclarecer fatos, fornecer documentação e, se necessário, ajustar medidas de controle. Enquanto a dúvida persistir, a peça continuará a trabalhar como elemento de tensão entre Justiça, Executivo e ambiente diplomático, com reflexos potenciais na agenda eleitoral e na percepção pública sobre impunidade.