Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram ao Correio que há “grandes chances” de a proposta que trata do fim da escala 6x1 ser levada ao plenário do Senado durante a semana de esforço concentrado marcada entre 31 de agosto e 4 de setembro. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse que fará poucos ajustes no texto vindo da Câmara, de autoria do deputado Léo Prates (Republicanos-BA), e que eventuais mudanças não tocarão o mérito da matéria.
A tramitação ganha ritmo político após a reaproximação pública entre Lula e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Fontes palacianas citam rodadas de conversas, acenos e jantares nas últimas semanas — movimento que ocorre pouco mais de dois meses após a rejeição, no plenário, da sabatina do atual AGU, Jorge Messias, e que havia aberto um período de distanciamento entre Executivo e Senado. Há previsão de novo encontro entre os chefes do Executivo e do Congresso, com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta.
A expectativa de votação em primeiro turno tem efeitos políticos concretos. Para o governo, aprovar a PEC seria um ganho simbólico junto a categorias que reivindicam ajuste nas jornadas, mas também exigirá uma intensa articulação para conquistar votos e blindar a base contra dissidências. Para senadores, o episódio reforça a necessidade de equilibrar pressões sociais com receitas e limites regimentais, sem que a pauta transforme-se em moeda de troca em negociações maiores.
No plano institucional, a sinalização de poucas alterações por parte do relator indica que a matéria chegará ao plenário em forma relativamente próxima à aprovada na Câmara, acelerando o calendário. O resultado da votação — que ainda não está decidido — será um termômetro da capacidade de articulação do Planalto e da influência de Alcolumbre sobre senadores favoráveis a avanços rápidos na pauta trabalhista.