Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientaram nos últimos dias que o petista evite manifestações públicas sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A recomendação chega sob pressão política gerada pela divulgação de supostas mensagens envolvendo o magistrado.

O material analisado por interlocutores refere-se a mensagens tornadas públicas em relatório da Polícia Federal por decisão do ministro André Mendonça. Nos trechos divulgados, há alegações sobre relacionamento financeiro e interferência em contrato ligado à esposa do ministro; as informações são tratadas no Palácio como acusações a serem enfrentadas com prudência.

Por isso, a orientação que chega a Lula é de manter discurso institucional: repetir, quando questionado, que o STF tem autonomia e que cabe ao Judiciário apurar eventuais irregularidades. A estratégia visa reduzir o risco de um choque entre Executivo e Corte e preservar a governabilidade diante de um tema sensível.

A recomendação interna também traduz preocupação com o custo político de qualquer envolvimento direto do presidente no caso. Na avaliação dos conselheiros, respostas enfáticas poderiam ampliar desgaste, criar tensão institucional e complicar a relação com setores do Congresso e com parte da opinião pública.