Aliados do PL intensificaram nos últimos dias a tentativa de evitar que Michelle Bolsonaro abra mão de uma eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, depois de sinais públicos de desgaste com o filho e senador Flávio Bolsonaro. A articulação interna ganhou protagonismo após declarações do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que relatou resistência da ex-primeira-dama em participar da campanha presidencial do enteado e admitiu a possibilidade de ela não concorrer.

Valdemar disse ainda que Michelle deixou a presidência do PL Mulher e minimizou a crise familiar, ao afirmar que a legenda segue trabalhando. O recuo da ex-primeira-dama ocorre depois de um vídeo em que ela relatou episódios de desrespeito e humilhação por parte de Flávio, além de divergências sobre apoios eleitorais no Ceará — elementos que, segundo aliados, explicam o momento de fragilidade pessoal e político que a levou a reavaliar a carreira pública.

Para o campo conservador, a saída de Michelle representaria um prejuízo prático: pesquisas internas e do Correio indicam liderança consolidada dela no DF, com 38,8% das intenções de voto. Parlamentares aliados, como a senadora Damares Alves, já anunciaram esforço para convencê‑la a permanecer na disputa, enquanto a governadora Celina Leão ressalta a relevância da representatividade feminina e a capacidade da ex-primeira-dama de alterar o quadro local. Sem Michelle, nomes como Bia Kicis e Izalci Lucas aparecem como alternativas, mas a transferência de votos é incerta.

Analistas consultados pelo partido alertam que a eventual retirada não produziria uma transferência automática de eleitorado — e que a dispersão dos votos poderia beneficiar opositores e complicar a projeção eleitoral do PL no DF. O episódio expõe uma tensão interna que exige gestão política rápida: o partido precisa conciliar laços pessoais e estratégia eleitoral para não perder uma vantagem competitiva, ao mesmo tempo em que a decisão final segue em aberto e continuará a reverberar na dinâmica de 2026.