No limite do prazo de desincompatibilização para as eleições gerais, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), e o vice, Tadeu de Souza (Avante), formalizaram a renúncia aos cargos na noite de sábado (4/4). As cartas, escritas à mão, foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e registradas às 23h, último horário permitido para quem pretende disputar cargos em outubro.
Com a vacância, o presidente da Aleam, Roberto Cidade (União), assumiu o comando do estado. A transferência de poder ocorre em um momento sensível: Lima havia declarado há pouco mais de um mês que cumpriria o mandato até o fim, e agora aponta para a disputa por uma das duas vagas do Amazonas no Senado — intenção que confirmou ao Correio Braziliense após a renúncia.
Decidi renunciar ao cargo em caráter irrevogável e irretratável para cumprir a legislação eleitoral.
A mudança tem implicações políticas imediatas. A saída de um governador no limite do prazo acende alerta sobre a percepção pública e a estratégia eleitoral do grupo que governa o estado, além de expor contradição entre promessa e atitude. No tabuleiro para o Senado, Lima agora deve enfrentar nomes como Eduardo Braga (MDB) e Alberto Neto (PL), já posicionados nas pesquisas de intenção de voto.
O histórico da gestão também pesa no cálculo político: levantamento da Real Time Big Data registrava desaprovação de 53% contra 40% de aprovação; episódios como a crise do abastecimento de oxigênio na pandemia e uma investigação no Superior Tribunal de Justiça sobre compra de respiradores superfaturados permanecem como pontos sensíveis, com potencial para ampliar desgaste durante a campanha.
A sucessão, além de reordenar o Executivo estadual, deixa aberta a disputa por espaço político local e repercute no plano nacional, onde 11 governadores e 10 prefeitos de capitais adotaram o mesmo caminho no prazo de desincompatibilização. Roberto Cidade, que também era cotado para disputar cargos, terá de decidir entre seguir no Executivo ou retomar pretensões eleitorais, enquanto o cenário eleitoral no Amazonas ganha ar mais competitivo e incierto.
Devo concorrer a uma das duas vagas do Amazonas ao Senado Federal.