A empresária Roberta Luchsinger voltou a ser mencionada nos autos da Operação Sem Desconto depois que a Polícia Federal identificou transferências realizadas a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola — então chefe de gabinete pessoal do presidente. As investigações apuram suposto esquema de fraudes no INSS, com mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e uso de tornozeleira pela investigada.

Segundo a PF, a consultoria de Roberta teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão de uma empresa ligada a Antônio Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”. Investigadores consideram a hipótese de que a empresária tenha atuado como intermediária em pagamentos que, em tese, poderiam ter relação com pessoas próximas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As apurações ainda não demonstraram vínculo direto com atos administrativos do governo.

A defesa de Roberta rejeita qualquer irregularidade e afirma que a amizade com Lulinha tem sido usada para politizar o caso. Marco Aurélio, por sua vez, declarou que os valores recebidos seriam a quitação de um empréstimo pessoal. Mesmo assim, o surgimento dessas transferências complica a narrativa pública: mostra como vínculos privados podem se transformar em foco de desgaste político, independentemente de comprovação judicial.

O episódio reforça o risco político de aproximações entre figuras do entorno do presidente e operadores de contratos ou intermediações. A investigação da Polícia Federal segue em curso e, até que haja definição judicial, as revelações mantêm pressão sobre a imagem do governo e alimentam dúvidas sobre controle e transparência em torno de benefícios previdenciários.