Após a sabatina de Romeu Zema no Jornal Nacional, na segunda-feira (24/8), o empresário e ex-presidente do Novo João Amoêdo voltou a criticar a legenda. Em postagem no X, Amoêdo disse que o partido, que no início buscava espaço na mídia para expor suas ideias, "mudou tanto e ficou tão ruim" e que hoje o melhor para a sigla seria não aparecer na imprensa. A declaração reacende o debate sobre a identidade pública do Novo em véspera de novo ciclo eleitoral.

O episódio remete ao rompimento público entre Amoêdo e a direção da sigla. Fundador e adversário histórico do fisiologismo, ele foi candidato à Presidência em 2018 — quando somou cerca de 2,5% dos votos válidos — e deixou o partido em 2022 após a aceleração de aproximações com o bolsonarismo e acordos pontuais com o PL. Naquele ano, seu anúncio de voto em Lula no segundo turno desencadeou processo na Comissão de Ética do Novo; Amoêdo pediu a desfiliação antes que a comissão concluísse qualquer sanção.

A crítica do fundador tem peso político por expor fissuras entre a narrativa oficial do partido e a percepção de uma velha guarda liberal. Para o Novo, reclamações assim complicam a tentativa de apresentar unidade e clareza programática em ano pré-eleitoral. No curto prazo, a repercussão pode desgastar a imagem do partido e forçar líderes a responderem a uma acusação direta de perda de identidade — especialmente com um nome como Zema em evidência na cobertura nacional.

Além do custo reputacional, o episódio joga luz sobre uma questão estratégica: se a agremiação optou por alianças pragmáticas para ganhar musculatura, precisa agora mostrar que isso não equivale a perda de princípios. A observação de Amoêdo, austera e pública, serve como termômetro do que parte do eleitorado liberal e do núcleo fundador ainda considera inaceitável. Resta ver se a direção transformará o sinal em correção de rumo ou se a percepção de desgaste se ampliará ao longo de 2026.