O ex‑presidente do Partido Novo, João Amoêdo, afirmou em publicação nas redes sociais em 23 de outubro que, diante do segundo turno marcado para domingo, opta pela “irritação” de um eventual novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva em vez do que vê como o “risco” de um governo comandado por Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, disse que manterá postura de oposição ao vencedor. A mensagem chega a dois dias da votação e resume a frustração de parte do centro‑direita com a falta de alternativas no tabuleiro político.
Amoêdo repetiu críticas a ambos os candidatos e avaliou que a disputa será definida mais pela rejeição aos adversários do que por adesão a propostas. No texto, ele citou erros atribuídos ao governo Lula — entre eles, decisões políticas e econômicas que, segundo ele, ampliaram gastos com viés eleitoral, além da indicação de aliados ao Supremo e da manutenção da polarização. Sobre Flávio Bolsonaro, apontou ausência de postura e credibilidade e mencionou suspeitas que envolvem o senador, já publicamente debatidas, como as investigações relacionadas às chamadas “rachadinhas” e alegações de proximidade com grupos questionados pela Justiça.
A posição pública de Amoêdo tem impacto político evidente: sinaliza a dificuldade de retenção de eleitores do centro‑direita que rejeitam o bolsonarismo, ao mesmo tempo em que acentua a sensação de esgotamento de alternativas fora do PT e do PL. Para a campanha de Lula, o apoio tácito de nomes desse espectro ajuda a neutralizar narrativas sobre risco institucional; para o campo bolsonarista, é mais um reconhecimento de que a rejeição ao nome de Flávio pode ampliar o custo político da candidatura. Trata‑se, portanto, de um gesto que complica a narrativa de ambos os lados e acende alerta sobre a fragmentação do eleitorado moderado.
Apesar do posicionamento, Amoêdo enfatizou que continuará crítico ao próximo governo, seja qual for, reafirmando compromisso com oposição liberal e com responsabilidade fiscal. A declaração expõe, ainda, a pressão sobre lideranças do centro para traduzir frustração em projeto político viável — um déficit apontado por ele próprio — e coloca em evidência o desafio da reconstrução de uma alternativa que dialogue simultaneamente com preocupações econômicas e com o receio institucional suscitado pelo bolsonarismo.