O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara que ofensas de caráter pessoal dirigidas ao presidente equivalem a uma afronta simbólica ao país. A declaração, feita nesta quarta-feira (12/8), procurou diferenciar crítica política legítima de ataques pessoais que, na visão do assessor, rompem o patamar institucional que sustenta a diplomacia.

Amorim não citou o presidente argentino por nome, mas o contexto remeteu diretamente às provocações proferidas em solo brasileiro durante a convenção do PL, que motivaram ida e vinda de farpas entre os dois governos. O episódio já levou o Itamaraty a retirar temporariamente o embaixador de Buenos Aires enquanto os ataques persistirem — uma medida que sinaliza isolamento temporário e eleva o custo político da disputa.

O assessor qualificou o episódio como uma “redução do nível” e disse esperar que seja passageira. Ao mesmo tempo, procurou contornar comparações simplistas com outras medidas de pressão internacional: lembrou que ações como tarifas unilaterais têm natureza distinta, pois tocam normas do direito internacional e podem configurar quebras contratuais, com efeitos econômicos diretos.

Do ponto de vista institucional, Amorim alertou para o perigo de normalizar a ausência de regras para resolver conflitos: sem canais formais e respeito ao decoro, disse, cresce o risco de escalada que vai além de palavras. A mensagem implica um apelo ao restabelecimento de limites e à primazia das regras, argumento que também busca proteger interesses econômicos e comerciais expostos por um eventual rompimento prolongado.

Politicamente, o episódio complica a agenda do governo: exigir respeito à figura do chefe de Estado é uma posição de firmeza, mas tem custo pragmático se traduzir em perdas comerciais ou isolamento regional. A saída passa por mesclar resposta diplomática proporcional com esforços para evitar fissuras maiores nas relações econômicas — tarefa que exigirá coordenação entre Itamaraty, diplomacia econômica e interlocução política em Brasília.