O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, criticou nesta quarta-feira (12/8), em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), a maneira como os Estados Unidos conduziram a indicação do novo embaixador no Brasil. Amorim lembrou que a vaga ficou sem titular por mais de um ano e meio e que, com a aproximação das eleições, a Casa Branca acelerou o processo sem obter o aceite prévio do governo brasileiro.

Segundo o assessor, a nomeação do diplomata Daniel Perez foi anunciada antes da concessão do agrément — o aval tradicionalmente solicitado ao país receptor — e ocorreu em tempo que discordaria do critério adotado pelo Planalto de não aceitar pedidos desse tipo no período pré-eleitoral. Amorim disse que não houve recusa formal ao agrément, mas sim uma decisão política do governo de suspender esse tipo de tramitação até depois das eleições.

O episódio, na avaliação do assessor, revela uma condução técnica questionável e levanta sinais políticos: praticada às pressas, a indicação pode ser interpretada como uma tentativa de antecipar interlocuções em um momento sensível. Para além do litígio protocolar, trata-se de um gesto que pode alimentar interpretações sobre a politização das relações bilaterais e sobre a percepção da importância do Brasil para Washington.

A repercussão na CREDN tende a exigir explicações de ambos os lados e coloca em evidência a necessidade de respeito mútuo às regras diplomáticas. O episódio acende um alerta sobre a gestão da agenda externa às vésperas do pleito — um terreno em que qualquer deslize tem custo político e simbólico para a condução das relações com um parceiro estratégico.