O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, entregou nesta quarta-feira (16/9) a carta do presidente Lula ao presidente chinês Xi Jinping durante reunião com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Pequim. Segundo interlocutores, a mensagem ressaltou a importância estratégica da relação bilateral e a convergência entre os projetos nacionais de desenvolvimento.

Além da cerimônia de entrega, Amorim e Wang Yi fizeram um balanço das relações e trataram de novas frentes de parceria. Em pauta estiveram o desenvolvimento de inteligência artificial de código aberto, com ênfase em modelos éticos e inclusivos, e a ampliação das capacidades produtivas ligadas a minerais críticos e terras raras, com o objetivo declarado de agregar valor às cadeias produtivas.

A iniciativa abre oportunidades econômicas relevantes: agregar valor pode reduzir a dependência de exportação de commodities e gerar empregos industriais. Mas a ênfase em parcerias tecnológicas e produtivas com a China também acende alerta sobre o risco de dependência, a necessidade de contrapartidas claras, salvaguardas de segurança e garantias ambientais — pontos que exigirão acompanhamento legislativo e critérios técnicos precisos.

No plano diplomático, as conversas reforçaram defesa do multilateralismo e do papel do BRICS, ao mesmo tempo em que abordaram crises internacionais como Ucrânia e Oriente Médio. Para Brasília, o gesto simboliza uma estratégia de aproximação que traz ganhos comerciais e geopolíticos, mas que complica a narrativa governista: será preciso traduzir acordos em resultados concretos sem transferir custos econômicos ou riscos estratégicos ao país.