Ana Caroline, viúva do deputado estadual e candidato à reeleição Amilton Filho (MDB), anunciou nesta terça-feira (29) que assume a campanha que tinha o marido como cabeça de chapa. Em postagens nas redes sociais ela informou que disputará com o nome de campanha associado ao legado do ex-deputado, e teve o apoio público do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, que pediu aos eleitores que prestem homenagem votando na continuação do projeto político local. O partido confirmou a manutenção da postulação e afirmou que, nas urnas, o número 15100 seguirá vinculado à imagem de Amilton.
Amilton Filho, de 41 anos, morreu na madrugada de sábado, 26 de setembro, em consequência de uma colisão do carro em que estava com uma carreta parada na BR-050, nas imediações de Cristalina (GO). A tragédia interrompeu uma campanha em curso e deixou duas crianças. A substituição por membro familiar encontra respaldo jurídico: a Resolução 23.609/2019 do Tribunal Superior Eleitoral prevê a possibilidade de partidos e federações registrarem nova candidatura quando o titular falece após o encerramento do prazo de registro.
Politicamente, a opção pelo nome da viúva busca preservar a rede de apoio construída pelo deputado e capitalizar o efeito de simpatia imediato. O endosso do prefeito de Anápolis e a manutenção do número e da foto nas urnas são instrumentos para facilitar a comunicação com o eleitorado. Ainda assim, a movimentação acende um alerta: transformar solidariedade em votos depende da capacidade do MDB de articular lideranças locais, manter a logística da campanha e evitar fissuras internas em um momento de forte carga emocional.
A solução evita disputas judiciais imediatas e dá continuidade formal à corrida eleitoral, mas impõe pressão administrativa e política sobre o partido. Cabe ao MDB consolidar apoios regionais, traduzir o discurso de ‘legado’ em propostas e demonstrar comando operativo da campanha para que a substituição não se limite a um gesto simbólico. Os efeitos eleitorais concretos só serão conhecidos nas urnas de 2026; até lá, a gestão do luto e da mobilização será determinante para o resultado.