A deputada federal Ana Elisa (PT) reagiu com dureza à nova determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que mandou suspender o canal 'Exército do Lula' no WhatsApp por falta de registro formal. Em vídeo divulgado nas redes, ela classificou a medida como tentativa de conter a mobilização digital pró-reeleição e afirmou que a ação equivale a censura, ao mesmo tempo em que comparou o alcance do grupo petista — mais de 4 milhões de seguidores — com o da chamada 'Tropa do Flávio', estimada em cerca de 1 milhão.
O episódio tem sequência de decisões: Nunes Marques ordenou a suspensão no domingo (11/10) após pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de divulgar desinformação; o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida no mesmo dia; a área técnica do TSE disse não ter identificado fake news, mas apontou exclusões de mensagens e riscos operacionais; e Nunes Marques voltou a suspender o canal na terça (13/10), condicionando a retomada ao registro e ao monitoramento. Depois que a campanha de Lula formalizou o canal, houve autorização para o retorno, respeitado o prazo determinado pela Corte.
A troca de decisões expõe duas tensões centrais: a necessidade de fiscalizar plataformas de mobilização para preservar a integridade do processo eleitoral e o risco de que intervenções pareçam seletivas ou pouco transparentes. Para aliados do governo, a suspensão reforça a percepção de constrangimento institucional; para críticos, a ação ressalta falhas procedimentais do próprio canal. Em ambos os polos, o fato joga luz sobre lacunas nas regras de registro e fiscalização de meios digitais usados em campanhas, tema que tende a ganhar peso à medida que se aproxima 2026.
Politicamente, a disputa vira munição de campanha e alimenta narrativas opostas: governo e apoiadores denunciam censura; adversários justificam medidas por segurança eleitoral. A oscilação nas decisões do TSE acende alerta sobre a percepção de imparcialidade da Corte e sobre a necessidade de procedimentos mais claros — tanto para coibir a desinformação quanto para evitar que sanções administrativas se transformem em argumento de desgaste para quem governa. O julgamento público, nesse caso, não se dará só nos autos, mas no efeito imediato sobre a organização das bancadas digitais e na narrativa política das próximas eleições.