A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, desativou na semana passada sua conta na rede social X após receber ameaças de morte e violência sexual durante a campanha. Ela relatou que as mensagens, denunciadas à Polícia Civil de Minas Gerais, combinaram ataques misóginos, racistas e ameaças de estupro, e disse ter passado a receber ofensas coordenadas depois de participar em Brasília de ações de campanha pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Ana Elisa afirmou estar “totalmente vulnerável” por ainda não dispor de escolta. Em 5 de setembro, ela divulgou prints de um e‑mail em que o autor se dizia membro do Ku Klux Klan e declarou que não tolera “mulheres pretas em espaços de poder”, descrevendo como pretendia atacá‑la. A deputada teve 524.219 votos e se tornou a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara e a mais jovem eleita ao cargo.
O caso se insere num quadro mais amplo: dados do TSE apontam que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026, e organizações civis entregaram ao tribunal um documento com denúncias sobre agressões e ameaças durante a campanha. Mulheres vítimas podem buscar canais como o Ligue 180, Polícia Federal, Ministério Público Eleitoral, Ouvidoria do CNJ e delegacias estaduais para registrar ocorrências e solicitar proteção.
Além do crime individual, as agressões têm efeito político: intimidam a participação feminina e racializada na política, corroem o debate público e exigem resposta rápida das autoridades. A desativação do perfil e a sensação de vulnerabilidade da deputada levantam questões sobre a capacidade do Estado em proteger representantes eleitas e preservar a liberdade de atuação política sem violência.