A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou processo administrativo para apurar supostas irregularidades da Go Up Entertainment, produtora da cinebiografia Dark Horse, sobre gravações ocorridas em território brasileiro. O procedimento foi motivado por indícios de que parte das filmagens teria sido realizada sem a comunicação prévia prevista nas normas que regulam obras estrangeiras.
Pela regulamentação, produções estrangeiras que gravam no Brasil devem informar à Ancine e apresentar documentação como contratos com empresas nacionais e um plano detalhado das atividades. A agência registrou duas tentativas de contato com a produtora, sem retorno, e abriu formalmente a apuração para permitir apresentação de defesa antes de decisão final.
Caso as irregularidades se confirmem, a Go Up pode ser penalizada com multa administrativa prevista entre R$ 2 mil e R$ 100 mil, dependendo da avaliação documental. Além do aspecto sanitário-regulatório, o caso tem dimensão política: Dark Horse já esteve no centro de controvérsias após divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro sobre financiamento da obra.
A proprietária da produtora, Karina Gama Ferreira, também figura em investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre supostas fraudes em licitações relativas ao programa WiFi Livre SP. A soma de indícios e controvérsias aumenta a atenção sobre a conformidade legal da produção e sobre o custo reputacional e político para envolvidos, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de fiscalização no setor audiovisual.