O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), lançou oficialmente neste sábado (20/06) sua pré-candidatura ao Senado em evento realizado em Guarulhos. O ato reuniu os principais nomes do campo bolsonarista e da direita paulista — entre eles Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho e líderes municipais — e teve como mensagem central a manutenção de Eduardo Bolsonaro na chapa, mesmo após a recente decisão judicial.

Eduardo participou por vídeo dos bastidores e foi anunciado como primeiro suplente de André do Prado. A escolha ocorre dias após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenar o ex-deputado por coação no curso de processo relacionado à investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, com pena fixada em quatro anos e dois meses em regime semiaberto, multa e determinação de inelegibilidade por oito anos, além de perda de cargo na Polícia Federal — uma sentença que abre uma série de incertezas jurídicas para a chapa.

A Procuradoria-Geral da República apontou que Eduardo teria buscado apoio nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras, incluindo medidas como a aplicação da chamada Lei Magnitsky contra ministros do STF e a suspensão de vistos — acusações que agravam o teor da condenação e ampliam o custo político do caso. Apesar disso, André do Prado defendeu a manutenção do irmão Bolsonaro como suplente e mencionou a possibilidade de recursos e de mudança de entendimento no plenário do Supremo, aposta que transfere ao Judiciário a resolução de um problema político imediato.

Politicamente, a decisão de manter Eduardo no rol da chapa funciona como gesto de unidade interna e busca preservar a narrativa de resistência do grupo, mas traz riscos concretos: a inelegibilidade e a condenação podem forçar ajustes de última hora na chapa, expor o projeto eleitoral a desgaste e oferecer munição à oposição. A postura também testa a capacidade da coalizão de sustentar uma construção política em torno de figuras juridicamente fragilizadas — um desafio relevante para a estratégia de 2026.