O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), lançou neste sábado em Guarulhos sua pré-candidatura ao Senado em um evento que reuniu as principais lideranças bolsonaristas do país. A cerimônia consolidou a aliança entre Prado e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e transformou a iniciativa regional em ato de projeção nacional ao contar com a presença de Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho e o prefeito Ricardo Nunes.
A estratégia do grupo é clara: transformar a disputa paulista em componente visível do projeto do PL para 2026. A presença de Flávio Bolsonaro e de coordenadores da campanha presidencial que se avizinha dá à pré-candidatura um caráter de carta dentro do tabuleiro nacional — o que pode ampliar recursos e mobilização, mas também associar a chapa aos riscos eleitorais e de imagem do bolsonarismo a nível federal.
O lançamento ocorreu em contexto tenso: Eduardo Bolsonaro foi anunciado como primeiro suplente de Prado, mas a recente decisão da Primeira Turma do STF que declarou o deputado licenciado inelegível instala incerteza sobre a composição formal da chapa. Mesmo participando por vídeo e reafirmando apoio, Eduardo deixou explícito que a ocupação do posto de suplente terá de ser reavaliada caso prevaleçam as restrições legais, situação que obriga a coordenação a considerar alternativas dentro dos prazos eleitorais.
No plano estadual, a confirmação pública da dobradinha entre Prado e Derrite vincula diretamente a candidatura ao discurso de segurança pública do governo paulista. Derrite, ao associar o apoio recebido da Alesp à execução de operações policiais, buscou legitimar a parceria como fruto de resultados na gestão — narrativa que tem apelo eleitoral, mas também expõe a chapa à crítica sobre militarização da pauta e instrumentalização política de operações de segurança.
Politicamente, o ato funciona como sinal de força interna do PL e de costura com aliados de peso. Ao mesmo tempo, a necessidade de ajustar a lista de suplentes por causa da inelegibilidade de Eduardo e a estreita conexão com a marca bolsonarista podem representar custos em uma eleição estadual em que a ampliação de alianças e a atração de eleitores de centro são fatores decisivos. A partida, portanto, está lançada: a pré-candidatura ganhou tração, mas carrega desafios jurídicos e estratégicos que deverão moldar os próximos passos da campanha.