O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça teve um embate com a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro durante tratativas sobre a proposta de colaboração premiada apresentada pelo dono do Banco Master. Segundo apuração inicial, a troca de recriminações decorreu da avaliação, por parte do magistrado e de integrantes da investigação, de que o material entregue até agora é insuficiente para justificar benefícios penais robustos.
Fontes que acompanham o caso — e que confirmaram as primeiras informações publicadas pela coluna de Mônica Bergamo da Folha e pelo Correio — relatam que a Polícia Federal classificou os arquivos como fracos e acusou a defesa de poupar nomes do alto escalão. A delação trata de um esquema que gerou prejuízos bilionários ao BRB e de uma rede de pagamento de propinas, mas, na avaliação preliminar, não teria provas diretas capazes de sustentar todas as acusações anunciadas.
A resistência formal do ministro expõe um ponto sensível: a credibilidade e a eficácia dos acordos de colaboração dependem da consistência probatória. Se a delação mantiver omissões importantes, há risco de atraso na formalização do acordo, limitação do uso do material em ação penal e desgaste para a narrativa de investigação em torno da Operação Compliance Zero. A defesa, por sua vez, protocolou anexos complementares, que serão analisados nas próximas semanas pela PF e pela Procuradoria‑Geral da República.
O desentendimento no front judicial tem dimensão política e institucional. Para a investigação, a circunstância aponta a necessidade de mais evidências para alcançar autoridades de alto escalão; para Vorcaro, significa que a oferta de benefícios penais pode ser reduzida caso os novos documentos não supram as lacunas. O desenlace representará teste para a capacidade da PGR e da PF de fechar um acordo que seja juridicamente sustentável e politicamente aceitável.