O ministro André Mendonça foi designado relator da petição apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Tribunal Superior Eleitoral. O pedido, enviado ao presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, envolve autorização para divulgação de informações financeiras, fiscais, patrimoniais e telefônicas.
No documento, o chefe do Executivo concorda com a divulgação de dados relativos aos últimos oito anos e estende a abrangência a familiares e a uma empresa ligada ao petista. A defesa solicita que as informações fiquem disponíveis em plataforma pública, citando o sistema DivulgaCandContas como opção para acesso.
A medida, contudo, está condicionada: Lula pede que o adversário Flávio Bolsonaro autorize idêntica abertura de sigilos — próprios, de familiares e de empresas relacionadas a ele, inclusive no exterior — e fixa prazo para resposta até quarta-feira (21/10). A estipulação transforma o pleito em um gesto de reciprocidade que cobra reação do núcleo bolsonarista.
Além do conteúdo técnico, a decisão de encaminhar o caso a Mendonça tem repercussão política. A iniciativa busca ampliar transparência e, ao mesmo tempo, deslocar o foco para uma simetria de concessões entre as partes. Se aceita pelo TSE e pela outra parte, pode alterar o quadro de informações públicas no debate eleitoral; se recusada, tende a virar argumento de assimetria entre postulantes.