O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, afirmou que, no momento, não há risco previsível ao suprimento de energia durante o período eleitoral, apesar da perspectiva de um 'super El Niño'. A previsão de cenário meteorológico aponta para probabilidade muito elevada de impacto entre outubro e dezembro, com reflexos esperados sobre a geração na região Norte e aumento da demanda nacional em razão das temperaturas elevadas.

Para reduzir a vulnerabilidade do sistema, a Aneel informou ter comunicado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o regime de contingenciamento em curso e adotado medidas operacionais. Entre elas está a antecipação de recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para geradores dos sistemas isolados do Norte, permitindo estocagem de combustível para os meses de agosto a dezembro, estratégia pensada para reduzir o risco associado a possíveis dificuldades de navegação na região.

Além do aporte de recursos, o governo, por meio do ministro Alexandre Silveira, liberou a antecipação de cinco contratos de leilões de reserva de capacidade que devem acrescentar 1,8 GW ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A Aneel também reforça monitoramento com o sistema Radar, que acompanha interrupções em tempo real em 5.542 municípios e registra histórico de ocorrências — ferramentas que ampliam vigilância e resposta, mas não eliminam fatores externos, como eventos climáticos extremos e problemas logísticos.

Do ponto de vista político, a operação representa tentativa de blindagem prévia: falhas de energia no período eleitoral teriam alto custo simbólico e pragmático para o governo. A prioridade anunciada — prevenção, preparação e comunicação — reduz a probabilidade de episódios severos, mas o quadro permanece sujeito a oscilações do clima e a entraves na cadeia de abastecimento. Nos próximos meses, a execução das medidas e a transparência na divulgação de incidentes serão determinantes para transformar a capacidade de gestão em confiança pública.