Um teste da Anistia Internacional Brasil revelou lacunas no sistema de moderação do Facebook para conteúdo relacionado a eleições. A ONG submeteu 15 anúncios pagos em português, direcionados apenas a eleitores brasileiros a partir dos 16 anos; 14 continham desinformação eleitoral e oito acabaram aprovados para exibição futura, embora nenhum tenha sido efetivamente veiculado porque a própria Anistia cancelou a publicação antes do ar.

Os materiais seguiam duas frentes: mensagens que levantavam dúvidas sobre a integridade do processo e acusações de fraude contra candidatos e instituições, e peças com informações falsas capazes de confundir sobre quando ou como votar. Um dos anúncios chegou a afirmar a necessidade de uma “revolução militar” e sugerir que abstenção em massa alteraria o poder — uma alegação que o Tribunal Superior Eleitoral já classificou como falsa.

Segundo a Anistia, sete dos envios foram rejeitados, mas sem indicação de que o motivo foi conteúdo enganoso; a recusa ocorreu por regras sobre anúncios políticos e exigência de verificação de identidade. A ONG também reporta que os envios partiram de Londres sem uso de VPN. Pesquisadores vinculados ao estudo alertam que o episódio acende alerta sobre a aplicação inconsistente das salvaguardas eleitorais da plataforma e sobre o risco de atores nacionais ou estrangeiros explorarem brechas.

A Meta reagiu apontando que a amostra é pequena e que os anúncios nunca chegaram a ser exibidos, ressaltando o volume de trabalho da empresa em torno do tema. Ainda assim, o episódio tem implicações práticas: expõe potencial vulnerabilidade nas ferramentas de inspeção automatizada, aumenta a pressão sobre reguladores e reforça a demanda por verificações mais rígidas e transparência antes do calendário eleitoral — fatores que podem custar credibilidade à plataforma e influenciar o ambiente eleitoral nas próximas semanas.