Anitta fez, nas redes sociais, um vídeo anunciando apoio a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, depois de ter dito dias antes que não gravaria o endosso. A cantora justificou a mudança afirmando acreditar que o ex-presidente oferece garantias para a democracia e oportunidades sociais, além de lembrar políticas públicas associadas aos seus mandatos.

A franca admissão de erro — ela disse ter sido ingênua ao supor vitória no primeiro turno — tem implicações políticas: revela que a campanha de Lula não consolidou voto suficiente entre parcelas urbanas e jovens. A reversão também expõe o jogo tático dos endossos: Anitta chegou a alegar que um vídeo poderia ser usado por adversários, mas retrocedeu diante da cobrança pública.

No pronunciamento, a artista traçou diferença entre o que chamou de direita tradicional e o bolsonarismo, criticando condutas antidemocráticas associadas a apoiadores do presidente. O posicionamento de uma figura com grande apelo cultural dá argumento simbólico à campanha petista, reforçando a narrativa contra o extremismo, sem, no entanto, garantir conversão automática de intenções de voto.

O efeito prático é ambíguo: o apoio aumenta visibilidade e pode ativar eleitores críticos ao bolsonarismo, mas deixa claro que a frente governista falhou em consolidar vitória no primeiro turno. Para o PT, o desafio é transformar manifestações de celebridades em mobilização efetiva nas urnas; para Anitta, resta lidar com os riscos de repercussão e com a responsabilidade pública de posicionamentos tão expostos.