Em reação a duas derrotas políticas importantes nesta semana — a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF e a derrubada, pelo Congresso, dos vetos presidenciais ao projeto da dosimetria — o Palácio do Planalto buscou na mobilização sindical e em medidas econômicas um remédio rápido para o desgaste. No Dia do Trabalhador, ex-ministros como Fernando Haddad e Simone Tebet ocuparam palanques em São Bernardo do Campo para defender publicamente a proposta de eliminar a escala 6 x 1, transformando uma pauta trabalhista em instrumento de recomposição da imagem presidencial.
A iniciativa tem caráter político claro: ao prometer a redução para 40 horas semanais e duas folgas consecutivas, o governo tenta recuperar o contato com a base trabalhista e reativar uma agenda popular que possa compensar as perdas no Congresso. Mas a proposta enfrenta um entrave institucional: o Planalto enviou um projeto de lei em regime de urgência, enquanto parlamentares optaram por tramitar propostas de emenda constitucional (PECs), com comissões já em andamento. O presidente da Câmara, Hugo Motta, ainda convocou sessões deliberativas para acelerar prazos, sinalizando disputa intensa sobre formato e conteúdo.
As derrotas recentes ampliam o desgaste governista e acendem um sinal de alerta sobre a capacidade de articulação do Executivo. A movimentação nos atos serve a um duplo propósito — mostrar agenda positiva e dar visibilidade à pré-campanha — mas esbarra em críticas previsíveis sobre custo fiscal e impacto na produtividade. Na própria seara política, a ausência de Lula dos atos do 1º de Maio pelo segundo ano consecutivo e o lembrado mau desempenho do evento em 2024 reforçam a necessidade de respostas concretas, não apenas simbólicas.
Paralelamente, o governo lançou o Desenrola 2, apontado como ferramenta para diminuir o endividamento das famílias — que atingiu 80,4% em março, segundo a CNC — e tentar gerar efeito prático na renda e no consumo. A combinação de medidas sociais e trabalhistas tem potencial eleitoral, mas depende da capacidade do Executivo de transformar propostas em normas eficazes num Congresso que demonstrou capacidade de reverter vetos e rejeitar indicações. Resta ao Planalto provar que a nova agenda é mais do que paliativo: precisa virar entrega diante de prazos apertados e custo político crescente.