A semana abre um ponto de inflexão na situação de Jair Bolsonaro: a Polícia Civil do Distrito Federal vai ouvi‑lo em sua residência nesta terça (23/6), às 15h, na investigação sobre a pistola Glock registrada em seu nome que foi apreendida com um militar do GSI em Taguatinga. O ministro Alexandre de Moraes acompanha o caso e autorizou medida excepcional para que a defesa tenha reunião preparatória mais longa e acompanhe a oitiva.
A apuração toca diretamente em dispositivos da Lei 10.826/2003. Os artigos que tratam da cessão ou empréstimo e da posse de arma sem autorização podem enquadrar o episódio como crime, mesmo com a alegação de que o percussor foi retirado para tornar a arma inoperante. Especialistas consultados apontam que a inoperância não elimina, em tese, a tipicidade, embora possa influenciar a dosimetria da pena e a avaliação da gravidade do fato — e o laudo técnico terá papel decisivo.
Ao lado da investigação criminal, há um prazo processual imediato: termina nesta quinta o período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária que foi concedida em março, quando o ex‑presidente cumpria pena de 27 anos e 3 meses por liderar tentativa de golpe. Moraes terá de decidir se mantém, revoga ou modifica o benefício. A coincidência temporal entre depoimento e vencimento do prazo acende alerta sobre a possibilidade de novos elementos influírem na decisão do ministro.
Politicamente, o episódio amplia desgaste e fertiliza questionamentos institucionais: além do impacto jurídico para o ex‑presidente, a presença da arma sob responsabilidade de um agente do GSI levanta dúvidas sobre protocolos de segurança e disciplina interna. A PCDF evitou comentar por ora, e o GSI não se manifestou. O desfecho da autorização de Moraes sobre a prisão domiciliar tende a ter efeito direto na agenda política e judicial dos próximos dias.