Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de sexta (11), o ex-governador José Roberto Arruda comemorou o voto do ministro Gilmar Mendes na ADI 7881, que discute a aplicação das alterações na Lei da Ficha Limpa. Arruda afirmou que já contava com o direito em discussão e declarou que seguirá na disputa eleitoral, apresentando-se pronto para concorrer.
No voto que abriu divergência em relação à relatora, ministra Cármen Lúcia, Gilmar Mendes defendeu que as mudanças nos prazos de inelegibilidade previstas na Lei Complementar 219/2025 só deveriam produzir efeitos após um prazo de transição de 18 meses. A relatora e o ministro Luiz Fux entendem que os dispositivos são inconstitucionais; Fux acompanhou Cármen Lúcia.
A sessão, que vinha sendo conduzida no plenário virtual, teve pedido do ministro Flávio Dino para que a matéria fosse levada a julgamento presencial. Com o destaque, o processo perderá o rito virtual e ainda não tem data definida para entrar na pauta do plenário. A expectativa levantada por advogados é que o julgamento só ocorra depois do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Enquanto o STF não definir definitivamente a constitucionalidade das mudanças, permanecem em vigor as regras que ampliaram o prazo máximo de inelegibilidade em situações de conexão entre processos — cenário que beneficia, no curto prazo, políticos como Arruda e o ex-deputado Eduardo Cunha, que dependem da nova contagem para obter registro de candidaturas.
O voto de Gilmar provoca efeito político imediato: permite a Arruda uma narrativa de recuperação judicial e de viabilidade eleitoral, mas não elimina a incerteza jurídica que envolve seu registro. Levar o caso ao plenário presencial e a provável postergação do julgamento para depois das eleições intensificam a disputa política e deixam em aberto o custo eleitoral e institucional para os envolvidos.