Uma investigação jornalística encontrou no mercado digital um conjunto de ferramentas de inteligência artificial com capacidade de apoiar campanhas eleitorais e, potencialmente, de manipular percepções públicas. A reportagem conversou com profissionais do marketing político e testou plataformas que oferecem desde criação de perfis até venda de seguidores e interação calibrada — serviços que, conforme o material, nem sempre operam dentro dos parâmetros legais.

Entre os serviços descritos está a criação de "personas digitais" — perfis construídos para simular cidadãos reais e usados para promover candidatos, provocar debates e amplificar narrativas. Um marqueteiro entrevistado descreveu essas contas como "neurobots", com atributos definidos por localização, faixa etária e ocupação, e capazes de engajar pro ou contra um candidato conforme a estratégia. A prática esbarra em resolução do Tribunal Superior Eleitoral que proibiu, em propaganda, o uso de chatbots, avatares e conteúdos sintéticos para simular diálogos com pessoas reais.

Paralelamente, o mercado de venda de seguidores e trocas de engajamento segue ativo: plataformas ofertam pacotes pagos — inclusive com pagamento por Pix, cartão ou criptomoedas — e há serviços que remuneram pessoas para curtirem, seguirem e comentarem perfis. A reportagem citou exemplos de preços e descreveu mecanismos em que interações são geradas por redes de usuários reais, uma alternativa aos tradicionais bots e que dificulta a identificação de manipulação automatizada.

O conjunto de práticas mapeadas acende alerta para o ambiente eleitoral. Além do potencial de falsear popularidade e contaminar o debate, essas técnicas complicam a fiscalização e colocam pressão sobre o TSE e as plataformas digitais para identificar e coibir abusos. A tendência eleva o custo de verificação, amplia a assimetria entre campanhas mais estruturadas e operações clandestinas e tende a corroer a confiança do eleitorado se não houver resposta técnica e jurídica consistente.