A tentativa do senador Camilo Santana (PT-CE) de incluir a redução da maioridade penal na PEC da Segurança Pública provocou irritação em uma ala do PT e reacendeu tensão interna. A proposta — que prevê baixar de 18 para 16 anos a responsabilidade criminal em casos de crimes hediondos — foi apresentada nas vésperas da análise do texto pelo plenário do Senado, marcada para sexta-feira (16/10).

Dirigentes petistas afirmaram nos bastidores que o caminho mais prudente é manter o texto aprovado pela CCJ sem alterações, para não comprometer o avanço da matéria. Para essa faixa do partido, mexer na redação agora abre uma nova frente de divergência sobre uma pauta considerada prioritária e construída com cuidado para evitar desgaste político e técnico.

A emenda articulada por Camilo surgiu como alternativa a iniciativas mais amplas defendidas pela oposição, mas correntes internas do PT avaliam que não há disposição política, no momento, para tratar da maioridade penal em conjunto com a PEC. A preocupação central é que uma modificação obrigue o texto a retornar à Câmara, atrasando medidas de segurança consideradas urgentes por aliados senadores.

Além do risco de atrasos, a movimentação expõe fragilidade na coordenação da legenda e aumenta a pressão sobre o senador para recuar. Politicamente, a disputa pode oferecer munição à oposição e complicar negociações em outras frentes legislativas; por isso, líderes do PT pregam contenção e insistem na manutenção do acordo fechado na CCJ como forma de preservar a tramitação.