Relatório técnico da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) identificou 240 candidaturas — em um universo de 20.653 registros verificados por CPF — com pelo menos um auto de infração ambiental válido. No total, os 240 nomes acumulam 524 autos que somam R$ 213.516.574,62, o que equivale a cerca de 1,16% do universo de candidaturas cruzadas. A planilha completa com os CPFs e os autos foi disponibilizada como dado aberto para verificação.
O levantamento também revela forte concentração dos valores: dois candidatos respondem por mais de metade do montante apurado. Daniel Messac de Morais, candidato a deputado estadual pelo Mobiliza em Goiás, concentra R$ 67.085.000,00 em seis autos do Ibama — praticamente sozinho explica o total atribuído ao estado e à legenda. Em Roraima, Paulo Cesar Justo Quartiero, candidato a deputado federal pela Democracia Cristã, acumula R$ 52.405.675,00 em 16 autos. Juntos, os dois somam cerca de R$ 119,5 milhões, reduzindo o agregado nacional para aproximadamente R$ 94 milhões se forem excluídos do cálculo.
A distribuição geográfica mostra maior presença de candidatos autuados nas regiões Norte e Centro-Oeste: Tocantins lidera em número de casos, o Pará concentra o maior número de autos, e os montantes totais são influenciados pelos episódios extremos em Goiás e Roraima. Por cargo, candidatos a deputado estadual representam o maior contingente (119 nomes) e o maior valor agregado (R$ 129,7 milhões), seguidos por deputados federais (83 candidatos, R$ 67,4 milhões). Curiosamente, candidaturas a suplente registram valores agregados superiores ao total apurado para o Senado no levantamento.
Do ponto de vista político, o cruzamento feito por CPF e divulgado pela Ascema põe pressão sobre partidos e bancadas: além do desgaste público, há implicações práticas se ocupantes dessas cadeiras participarem da definição de regras, orçamento ou estrutura de órgãos ambientais. O autor do estudo ressaltou que, mesmo excluídos os dois grandes casos, permanece um volume relevante de autos e multas, o que, segundo ele, configura um risco sistêmico. Para legendas e candidatos, os dados tendem a ampliar o debate sobre critérios de seleção e transparência, e podem forçar réplicas públicas — o canal de contato para esclarecimentos foi aberto, mas não há manifestações públicas registradas até o momento.