O jornalista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, declarou apoio público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma postagem nas redes sociais no sábado (24/10), véspera das votações do segundo turno. Na mesma mensagem, Assange relembrou os 1.901 dias que passou preso no Reino Unido, agradeceu a atuação de Lula na defesa de sua liberdade e fez críticas diretas a Jair Bolsonaro e ao filho Flávio Bolsonaro.
A mensagem reforça trajeto conhecido de Assange: criador da plataforma de vazamentos que ganhou atenção mundial em 2010, ele foi alvo de acusações apresentadas pelos Estados Unidos — entre elas com base na Lei de Espionagem — e chegou a ficar detido por cerca de cinco anos em prisão de segurança máxima no Reino Unido. Segundo a postagem, Lula teria atuado na defesa de Assange tanto enquanto estava fora do governo quanto quando novamente no poder, chegando a tratar do caso com o Papa Francisco.
Politicamente, a declaração funciona sob dois vetores. Para o campo petista, é um reforço simbólico que projeta Lula como defensor internacional da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, uma narrativa útil na agenda de imagem do presidente. Para a campanha bolsonarista, as críticas de Assange podem abrir espaço para questionamentos sobre omissão e alinhamento com interesses estrangeiros, criando um ponto de desgaste que a oposição poderá explorar. A intervenção de uma figura estrangeira no calor do segundo turno também tende a ser explorada por ambos os lados na guerra de narrativa, dependendo da repercussão nos veículos e nas redes.
É preciso, porém, situar o episódio: declarações e imagens em redes sociais têm poder simbólico, mas seu impacto eleitoral depende da amplificação midiática e do aproveitamento das campanhas. A mensagem de Assange acende alerta e complica a narrativa oficial bolsonarista na reta final, mas não determina resultados — é mais um elemento de pressão política que pode influenciar indecisos e reforçar a polarização em torno dos temas de soberania, alinhamento externo e liberdade de expressão.