A Assembleia Legislativa do Paraná marcou para 16 de junho a votação que decidirá o destino do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT). O anúncio foi feito pelo presidente Alexandre Curi após a leitura, em plenário, do projeto de resolução que formaliza o processo de perda de mandato. O texto foi apresentado pela deputada Mara Lima (Republicanos) depois dos pareceres do Conselho de Ética e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Se o plenário aprovar a cassação, será a primeira perda de mandato de deputado estadual nos 171 anos da Casa — um marco institucional que escancara o debate sobre responsabilidades internas. Renato tem repetido nas redes e em entrevistas que o processo tem caráter político: disse que o Legislativo sempre se esquivou de punir colegas e atribuiu ao corporativismo a mudança de postura que hoje o coloca na berlinda.

Eu perco meu mandato, mas não perco minha alma.

O caso tem origem numa briga com o manobrista Wesley de Souza Silva, em 2025, episódio que foi registrado em vídeo e viralizou nas redes. Renovando sua versão, o deputado afirma ter sido alvo de "um ataque violento e repentino". Após a tramitação no Conselho de Ética e na CCJ, veio o parecer pela perda do mandato. Em suas redes, Renato também acusou o presidente do Legislativo, Ademar Traiano, de "roubar dinheiro do povo" — afirmação que faz parte da tensa retórica pública entre o parlamentar e parte da cúpula da Casa.

Além do efeito imediato sobre o mandato de Renato Freitas, a votação abre um precedente institucional e acende alerta sobre como a Assembleia lida com condutas de seus membros. O episódio amplia desgaste do Legislativo diante da opinião pública e complica a narrativa oficial sobre independência e autorregulação. Se confirmada a cassação, caberá à política — e não só ao rito jurídico interno — administrar as consequências para bancadas e alianças, num ambiente já marcado por polarização.