Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), intermediou em 2023 negociações de emenda parlamentar com Robson Calixto, o 'Peixe', um dos condenados no caso da morte da vereadora Marielle Franco. O gabinete teria destinado R$ 199 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, na Taquara, área dominada por aliados dos irmãos Brazão.

Segundo as conversas, a assessora chegou a orientar Calixto a procurar Flávio pessoalmente para cobrar a liberação dos recursos e convidou os Brazão e 'Peixe' para uma cerimônia de entrega de coletes balísticos. Em outras mensagens, ela teria solicitado ingressos para evento público. A PF classificou algumas dessas demandas como pedidos de vantagem indevida. O Tribunal de Contas da União identificou que parte dos repasses foi usada para pagar um escritório de advocacia ligado aos donos do instituto.

O episódio faz parte da Operação Emendatio, deflagrada pela PF em julho e que apura desvios de emendas federais no Rio. Em nota, a assessoria de Flávio afirmou que a emenda teria respeitado critérios do Ministério do Esporte e que a execução é responsabilidade da entidade beneficiária. As conversas entre a assessora e Calixto, no entanto, não foram comentadas pelo gabinete, segundo apuração.

Além do impacto jurídico, o caso tem consequências políticas claras: em ano eleitoral, a revelação acende alerta sobre a supervisão dos recursos e complica a narrativa oficial do candidato. O vínculo entre um gabinete federal e agentes ligados a uma milícia condenada reforça questionamentos sobre controle e transparência, e tende a ampliar desgaste político na campanha caso não haja esclarecimentos públicos e investigação célere.