Uma pesquisa conjunta da AtlasIntel e da Arko Advice aponta que a principal razão para a rejeição do ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) é a associação ao bolsonarismo. Entre os entrevistados que declararam não votar em Caiado, 53,2% citaram essa ligação como motivo determinante.
Apesar desse índice, o levantamento registra que a rejeição geral de Caiado é relativamente baixa na comparação com outros nomes avaliados, chegando a 0% em alguns cortes da amostra. Outros motivos citados foram 'governa para os ricos' (29,6%), 'não conhece bem' (24,8%), 'oportunista/age por conveniência' (24,1%) e 'não passa confiança' (23,4%).
A associação com o bolsonarismo é apontada por 53,2% como motivo para não votar em Caiado.
O contexto reforça a leitura: Caiado lançou oficialmente a pré-candidatura nesta semana em São Paulo, ao lado do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e fez acenos ao bolsonarismo — incluindo a reafirmação de que concederia anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023 — além de críticas abertas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Do ponto de vista político, o peso da associação ao bolsonarismo revela um problema de construção de imagem para Caiado. Mesmo com rejeição nominal baixa, a centralidade desse motivo entre os que o descartam indica dificuldade para seduzir eleitores moderados e ampliar o eleitorado além de um núcleo mais alinhado ao bolsonarismo.
O resultado coloca o PSD e a campanha de Caiado num dilema estratégico: consolidar o aceno à base mais conservadora e correr o risco de alienar centristas, ou tentar descolar-se do rótulo e perder energia junto ao eleitorado bolsonarista. Ambas escolhas têm custo político e podem reduzir a margem de manobra da pré-candidatura.
O levantamento ouviu 4.224 pessoas e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa é um retrato do momento e não uma previsão. Ainda assim, o sinal é claro: para avançar em 2026, Caiado terá de calibrar mensagem e alianças se quiser transpor o limite que hoje concentra a rejeição em torno da associação ao bolsonarismo.