Cinco entidades que representam carreiras da advocacia pública federal divulgaram uma nota pública manifestando preocupação com o relatório de inteligência produzido pela Polícia Federal que formula hipóteses sobre os motivos que teriam orientado atos da Advocacia-Geral da União. Assinam o documento a Anauni, Anajur, Anpprev, Anafe e Sinprofaz, que defendem as prerrogativas e a autonomia técnica do órgão no desempenho de suas funções constitucionais.
As associações reclamam que o relatório, ao levantar motivações para a atuação institucional da AGU, pode antecipar juízos antes mesmo do conhecimento dos fundamentos formais que sustentaram a decisão jurídica. Destacam que o próprio material da PF reconhece a necessidade de se conhecer os fundamentos jurídicos para avaliar com precisão as hipóteses aventadas, e que transformar discordância estratégica em elemento de suspeição é inadequado e potencialmente danoso.
Do ponto de vista institucional, as entidades alertam para o risco de prejuízo à credibilidade da advocacia pública e para a construção de uma narrativa pública que pressiona a independência técnica do órgão. Em termos práticos, a circulação de conjecturas pode produzir efeitos desproporcionais sobre imagem e confiança — um custo político e institucional que, segundo as entidades, deve ser avaliado com cautela antes de qualquer exposição pública das hipóteses levantadas.
O recado das associações é claro: investigar ilícitos eventualmente praticados por agentes públicos e apurar responsabilidades é legítimo, mas não pode equivaler a colocar sob suspeita o exercício regular da advocacia institucional. As entidades pedem que a avaliação se baseie em fundamentos técnico-jurídicos e completos, para preservar a capacidade da AGU de formar convicção jurídica independente e cumprir suas atribuições constitucionais sem pressões externas.