Levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) mostra que, em 2025, foram registrados cerca de 900 mil ataques à imprensa no ambiente digital — média de quase 2,5 mil hostilidades por dia e aumento de aproximadamente 30% em relação a 2024, quando o total ficou em torno de 700 mil casos.

No campo físico, o relatório aponta 66 episódios de violência não letal contra jornalistas e veículos, que atingiram pelo menos 80 profissionais. A cada cinco dias, em média, houve um registro desse tipo. A violência física voltou a liderar as ocorrências, correspondendo a 39% dos casos (26 episódios) e com crescimento tanto no número de registros quanto no de vítimas.

O uso de inteligência artificial para distorcer conteúdos e modular vozes representa um novo risco ao jornalismo.

A distribuição regional concentra a maior parte das agressões no Sudeste (38%), seguida pelo Centro-Oeste e Nordeste. O perfil dos agressores destaca políticos e ocupantes de cargos públicos, depois torcedores e dirigentes esportivos. Profissionais de televisão foram os mais atingidos, reflexo da exposição da cobertura ao vivo e nas ruas.

Além das agressões físicas, o relatório registra aumento de intimidações (10 casos, alta de 40%) e um salto de 57% em episódios de censura, com equipes impedidas de trabalhar em diversas regiões. No ambiente digital, análises da Bites apontam retorno de termos depreciativos contra o jornalismo e maior circulação de narrativas que visam desacreditar a imprensa.

A Abert e especialistas alertam para o papel crescente da inteligência artificial na amplificação de campanhas de desinformação: há indícios de uso tecnológico para distorcer conteúdos, modular vozes e fabricar contextos falsos. Para o presidente-executivo da entidade, esse cenário ‘acende alerta’ sobretudo em períodos eleitorais, quando a disputa narrativa tem impacto direto na formação da opinião pública.

O novo protocolo federal busca proteção imediata às vítimas e celeridade nas investigações contra crimes a jornalistas.

Em reação ao ambiente de agressão, o governo federal anunciou um protocolo para investigação de crimes contra jornalistas, prevendo proteção imediata às vítimas e familiares, qualificação de procedimentos, preservação de provas e escuta especializada. A resposta oficial tenta reduzir os riscos e a impunidade, mas o aumento expressivo dos ataques digitais amplia desgaste e pressiona por medidas eficazes e rápidas.