A pesquisa AtlasIntel divulgada em parceria com a Bloomberg, com entrevistas realizadas entre 13 e 18 de outubro, coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente na simulação de votos válidos: 51,1% contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com margem de erro de um ponto percentual, a vantagem apontada pelo levantamento fica fora da tolerância estatística, o que transforma o resultado em sinal político relevante na reta final da campanha, a seis dias do pleito.
Além da disputa direta, o levantamento mede a avaliação do governo: 52,3% dos entrevistados desaprovam a gestão de Lula, enquanto 46,2% aprovam. No quesito avaliação do regime, 50,6% consideram a administração ruim ou péssima, contra 40,7% que a classificam como boa ou ótima. Esses números expõem desgaste da imagem do Executivo que pode estar repercutindo nas intenções de voto e na dinâmica de última hora entre eleitores indecisos ou de baixa confiança.
O estudo também avaliou cinco propostas recentes do governo. A medida de zerar impostos federais sobre combustíveis é a mais bem recebida, com 60% de ótimo ou bom. O fim da escala 6x1 e o Pix MEI têm avaliações majoritariamente positivas (54% e 52%, respectivamente). Medidas como perdão de dívidas para MEI e o programa Pé-de-Meia Universitário apresentam aprovação mais apertada; o último, em particular, registra 48% de ótimo ou bom contra 46% de ruim ou péssimo, indicando divisões sobre políticas específicas que limitam o efeito de recuperação automática de popularidade.
Do ponto de vista metodológico, a AtlasIntel entrevistou 4.998 eleitores por recrutamento digital e registrou o levantamento no TSE (BR-02418/2026). A amostra robusta e a margem de erro reduzida aumentam a relevância do resultado, mas a forma de recrutamento digital merece cautela: pode subrepresentar segmentos com menor presença online e modular deslocamentos locais de último minuto. Em suma, trata-se de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva do resultado final.
Politicamente, o levantamento acende alerta tanto para o governo quanto para a oposição. Para Lula, os números reforçam a necessidade de recuperar parcela do eleitorado que considera o governo negativo e de intensificar a mobilização de base nos últimos dias. Para Flávio Bolsonaro, a vantagem medida oferece oportunidade para consolidar apoio e trabalhar a logística de comparecimento às urnas. Em cenário tão apertado, mobilização, mensagens finais e gestão de expectativas tendem a decidir o desfecho — e os dados desta pesquisa complicam a narrativa de vantagem confortável para qualquer lado.