A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg realizada logo após o primeiro turno coloca Flávio Bolsonaro (PL) em vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno: 52,8% contra 47,2% dos votos válidos — diferença de 5,6 pontos percentuais, superior à margem de erro de um ponto. É a primeira rodada desde abril em que Flávio aparece numericamente à frente numa diferença que supera a incerteza estatística do levantamento.
No recorte do total de entrevistados, o cenário é semelhante: Flávio soma 51,1% das intenções, Lula tem 45,7% e 3,2% responderam branco, nulo ou não souberam. A pesquisa utiliza a métrica de votos válidos adotada pela Justiça Eleitoral, que exclui brancos e nulos, e por isso esse indicador virou parâmetro central na interpretação do resultado.
O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-03663/2026 e ouviu 5.026 pessoas por recrutamento digital aleatório entre 3 e 8 de outubro; a margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A rodada marca um avanço de cerca de quatro pontos para o senador em relação às pesquisas de setembro e à de 3 de outubro, enquanto Lula atinge o menor patamar desde o início da série, em dezembro de 2025.
Do ponto de vista político, os números sinalizam efeitos concretos. A pesquisa acende alerta para o governo ao expor uma oscilação favorável ao candidato governista que ultrapassa a margem de erro, o que amplia desgaste eleitoral e complica a narrativa oficial de recuperação. Para a campanha de Lula, o resultado levanta a necessidade de reequacionar estratégia, foco em eleitores indecisos e mensagens para reduzir o déficit observado; para a oposição, a vantagem alimenta um discurso mais agressivo e oferece tração adicional na mobilização.
É preciso, porém, manter a cautela: trata-se de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva. O levantamento inaugura o acompanhamento do segundo turno com Flávio em vantagem, o que mudará a dinâmica da disputa e pode alterar movimentos de campanha, empenho de aliados e debates públicos até o dia da votação.