A nova rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, confirma Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) como os protagonistas da corrida presidencial, mas deixa a disputa em situação de elevado grau de incerteza. No primeiro turno, Lula aparece com 45,3% das intenções e Flávio com 42,2%, uma distância de 3,1 pontos percentuais que, no tabuleiro político, não garante folga nem tranquiliza campanhas.
A comparação com a rodada anterior mostra leve refluxo para ambos os polos: Lula recuou de 45,8% para 45,3% e Flávio caiu de 43,4% para 42,2%, interrompendo a sequência de avanço do PL que vinha sendo registrada desde agosto (quando o senador tinha 33,7%). Na prática, a consolidação de votos à direita sofreu um freio, ao mesmo tempo em que a vantagem do presidente no primeiro turno deixa de ser inquestionável.
Quando a pesquisa considera apenas os votos válidos, Lula soma 46,2% e Flávio 43,1%, mantendo a liderança do petista, mas sem eliminar a perspectiva de um confronto apertado. Os demais nomes continuam marginalizados: Renan Santos registra 5,2%, Augusto Cury 2,0%, Ronaldo Caiado 1,8% e Romeu Zema 0,9%. Brancos, nulos e indecisos seguem em patamar reduzido, o que concentra o foco nas estratégias de mobilização dos dois principais campos.
O cenário mais decisivo é a simulação de segundo turno: numericamente, Flávio aparece com 47,7% contra 47,6% de Lula, com 4,8% entre brancos, nulos e indecisos. Dentro da margem de erro — 1 ponto percentual para mais ou para menos — trata‑se de empate técnico. Com 5.005 entrevistas realizadas entre 23 e 28 de setembro por recrutamento digital e registro no TSE (BR-04391/2026), o levantamento traduz uma corrida com margem estreita e elevada volatilidade.
Politicamente, o resultado acende alerta para ambos os lados: para o governo, complica a narrativa de vantagem consolidada e exige foco em mobilização; para a oposição, interromper a escalada de intenções indica limites estratégicos que precisam ser superados. Em suma, a pesquisa reforça que a eleição permanece aberta e que decisões de campanha, alianças e capacidade de converter intenção em voto serão determinantes nos próximos meses.