A nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, confirma vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos principais cenários da corrida eleitoral de 2026, mas também expõe um quadro de desgaste persistente da gestão. Segundo o levantamento, 51,3% dos entrevistados dizem desaprovar o desempenho presidencial, ante 47,4% que aprovam; 1,3% não souberam responder. Na avaliação do governo como um todo, 48,4% o classificam como ruim ou péssimo, enquanto 42,9% apontam ótima ou boa; 8,7% consideram regular.
Nos cenários eleitorais simulados, Lula lidera tanto intenções de voto em primeiro turno quanto confrontos de segundo turno. Em uma repetição da disputa de 2022, o presidente soma 44,4% contra 41,7% de Jair Bolsonaro. No principal cenário para 2026, Lula alcança 47% e Flávio Bolsonaro aparece com 34,3%; Renan Santos tem 6,9%, Romeu Zema 5,2% e Ronaldo Caiado 2,7%. Em alternativa sem Flávio, Lula fica com 46,7% e Zema com 17%; Caiado tem 13,8% e Renan 8%. Nos embates de dois turnos, Lula vence Flávio por 48,9% a 41,8% e Jair por 48,5% a 43,4%; os resultados frente a Zema e Caiado também mostram vantagem do petista, em margens próximas de 9 a 10 pontos.
O levantamento acende alerta político: a liderança numérica convive com níveis de desaprovação que podem reduzir margem de segurança em uma campanha competitiva. A diferença entre intenções de voto e avaliação do governo abre espaço para estratégias da oposição que foquem na erosão da imagem presidencial, especialmente se problemas econômicos ou temas sensíveis ganharem destaque. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que nomes do próprio campo governista — e figuras de centro como Fernando Haddad e Geraldo Alckmin — mantêm competitividade em cenários sem Lula, o que aponta para alternativas de continuidade que o eleitorado pode aceitar.
Do ponto de vista técnico, o levantamento ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio por recrutamento digital aleatório, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%; está registrado no TSE (BR-06939/2026). O método digital é adequado para alcance rápido, mas pode subrepresentar segmentos menos conectados, o que é um fator a considerar ao interpretar tendências eleitorais. Em suma, a pesquisa reforça que Lula parte na frente, mas mantém vulnerabilidades políticas que exigem resposta estratégica do governo.