O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que o receio de retaliações políticas e judiciais — em especial a ameaça de uma CPI das pesquisas e a “perseguição” vinda do TSE — levou grandes institutos a superestimarem o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, Roman elogiou a Futura por ter tido “coragem” e criticou explicitamente Quaest e Datafolha por métodos que, segundo ele, falharam na avaliação do eleitorado.

No centro da contestação está o uso do modelo de eleitor provável, técnica que pondera a probabilidade de comparecimento. Roman disse que o problema não é o conceito em si, mas sua aplicação: os institutos teriam elevado a probabilidade de votar de grupos que, na prática, perderam engajamento, em vez de capturar a crescente mobilização do eleitorado lulista. Ele também reconheceu falha da própria AtlasIntel: a opção por um recorte de cinco dias na coleta teria atenuado a tendência de aproximação entre candidatos — a última atualização do tracking, afirmou, mostrava uma diferença menor do que a divulgada.

As declarações têm potencial para ampliar desgaste sobre a confiança nas pesquisas e para agravar a politização do tema. Roman atribuiu à pressão judicial a principal razão do erro histórico — todos os grandes institutos terem indicado o vencedor errado no segundo turno — e anunciou que apresentará pedidos ao CNJ contra juízes que, a seu ver, “atropelaram” a lei, começando por casos no Rio Grande do Norte. Ele foi além ao defender mudanças no sistema de Justiça, incluindo a necessidade de despolitização e até impeachment de ministros, como lição para o futuro.

Do ponto de vista político, o episódio pesquisa acende alerta: corrói a credibilidade das metodologias, pode produzir efeito de site-seeking por parte do público e pressiona institutos a maior transparência metodológica. Para as forças políticas, a narrativa reforça disputa sobre quem sofre mais com a judicialização do debate eleitoral; para os institutos, é um sinal de que terão de justificar escolhas técnicas sob escrutínio público e institucional. A reação do CNJ e das próprias empresas nos próximos dias vai dizer se o setor parte para ajuste técnico ou se a controvérsia seguirá ampliando desconfiança na contagem das intenções de voto.