O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão imediata da divulgação de um levantamento da AtlasIntel que indicava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro. A liminar, concedida em atendimento a pedido do PL, proíbe a manutenção, impulsionamento ou divulgação dos dados até que a regularidade metodológica seja verificada.
Na decisão, o ministro apontou indícios de comprometimento metodológico, citando a ordem das perguntas e o uso de expressões com carga valorativa, além da utilização de áudios de investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, o que, na visão do TSE, poderia ter “contaminado” as respostas. O tribunal avaliou ainda 27 pesquisas anteriores da AtlasIntel e considerou que o uso desse tipo de questionário e de áudios foi uma exceção no conjunto das amostras analisadas.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, reagiu classificando a suspensão como um ataque injusto à reputação do instituto e ressaltou o histórico internacional da empresa como argumento de defesa. Em publicação nas redes sociais, Roman lembrou episódios em que a instituição foi questionada por diferentes espectros políticos após pesquisas contrárias a interesses específicos e afirmou que a reputação da AtlasIntel se constrói ao longo do tempo por meio de trabalho técnico.
O episódio tem implicações políticas e institucionais claras. De um lado, acende alerta sobre a fragilidade do ambiente de pesquisa em momentos eleitorais sensíveis e sobre os limites entre checagem metodológica e restrição à divulgação de dados. De outro, amplia desgaste para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, já pressionada por revelações sobre pedidos de financiamento para a cinebiografia Dark Horse — fator que torna o conteúdo da pesquisa politicamente relevante. Cabe ao TSE concluir com transparência a verificação técnica: se houver falha, a decisão fortalece a necessidade de controles metodológicos; se não houver, a suspensão poderá ser interpretada como ação com custo político para o tribunal e para a percepção de liberdade de expressão nas sondagens eleitorais.