Centenas de pessoas se concentraram no início da noite em frente às sedes da Meta e do Google na zona oeste de São Paulo com o slogan “Meta, não se meta”. Os organizadores afirmam que não foi permitido protocolar um manifesto na empresa; o documento será encaminhado digitalmente em ação de massa. As reclamações levantadas no ato incluem acusações de censura, falta de transparência nas regras de moderação e suposta desigualdade no impulsionamento de conteúdos.
A mobilização ganhou um desdobramento institucional: o ministro do Tribunal Superior Eleitoral Marco Aurélio Bellizze deu prazo de 24 horas para que a Meta comprove a adoção de medidas de isonomia na distribuição de posts políticos e na veiculação de anúncios. As reclamações no TSE partiram de campanhas de ambos os polos políticos — a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a do presidenciável Flávio Bolsonaro —, o que transforma a queixa em problema de caráter sistêmico, e não apenas partidário.
Em nota, a Meta atribuiu dificuldades à multiplicidade de regras eleitorais e à lentidão natural dos processos de checagem e liberação. A resposta técnica, porém, tem dificuldades políticas: a ordem do TSE acende alerta sobre a exposição institucional das plataformas e complica a narrativa de que moderar é apenas questão operacional. Se a empresa não demonstrar mecanismos claros de isonomia, a cobrança pode evoluir para exigência de relatórios públicos, auditorias ou medidas judiciais que aumentem custo e escrutínio.
O episódio coloca em evidência duas consequências concretas: primeiro, amplia a pressão por transparência e governança das grandes plataformas no período eleitoral; segundo, reforça o debate sobre soberania digital, já que ativistas também questionaram a presença de empresas de dados na gestão de sistemas públicos. Com o prazo de 24 horas sobre a mesa, a Meta terá de transformar justificativas técnicas em respostas jurídicas e operacionais para evitar novo desgaste institucional.