Centenas de pessoas abriram no Rio de Janeiro o Dia Nacional de Mobilização pela redução da jornada e pelo fim da escala 6x1, em uma caminhada de quase duas horas que percorreu cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil. Participantes deram voz ao desgaste cotidiano: trabalhadores — como a operadora de caixa de 22 anos que relatou falta de tempo para a família e para a saúde — disseram que a mudança na escala representaria alívio concreto à rotina.
A mobilização, articulada por centrais e frentes como CUT, Vida Além do Trabalho, Povo Sem Medo e Brasil Popular, prevê atos em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal. No centro da demanda está a PEC 221/2019, aprovada pela Câmara em 27 de maio e que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, além de garantir dois dias de repouso remunerado sem redução salarial. Desde a votação na Câmara, porém, a proposta aguarda despacho no Senado.
O foco da pressão é o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que no início de junho sugeriu que a matéria poderia ser analisada com calma e aperfeiçoamentos. Para os organizadores, essa sinalização virou sinônimo de atraso e motiva novas ações: centrais e movimentos sociais marcaram encontro com Alcolumbre para tentar destravar a pauta, enquanto a CUT lançou a plataforma ‘Na Pressão’ para mobilizar mensagens aos parlamentares. Se o Senado aprovar o texto sem mudanças, a PEC seguirá para promulgação; qualquer alteração devolve a proposta à Câmara.
Do ponto de vista político, a paralisação da proposta acende alerta sobre custos institucionais e reputacionais para o Senado. A manutenção do impasse amplia desgaste entre base social engajada e lideranças legislativas e transforma uma reivindicação setorial em teste de capacidade de resposta do Congresso. Para os movimentos, a mobilização desta terça-feira demonstra que a pauta já extrapolou nichos e pode cobrar posicionamentos claros dos senadores nas próximas semanas.