A Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) divulgou nota pública em que manifesta "veemente repúdio" às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, dirigidas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e às instituições brasileiras. No texto, a entidade qualifica como desrespeito à soberania nacional e à independência entre os Poderes os ataques proferidos em discurso em São Paulo, no qual Milei chegou a chamar o ministro de "lixo careca" e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e suas políticas.

Assinada pelo presidente da Atricon, Edilson Silva, a nota considera inadmissível que um chefe de Estado utilize manifestações públicas para desqualificar autoridades de outro país. A associação ressalta que divergências políticas ou ideológicas não justificam ataques pessoais nem tentativas de constranger instituições responsáveis pela preservação da ordem constitucional.

A entidade reforça que a independência do Poder Judiciário é pilar do Estado Democrático de Direito e que eventuais questionamentos às decisões judiciais devem tramitar pelos meios legais e institucionais previstos. O gesto da Atricon, além de oferecer solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes, sinaliza preocupação institucional diante de episódios que podem abrir espaço para tensionamentos diplomáticos e pressões externas sobre órgãos brasileiros.

Ao reafirmar apoio ao STF como guardião da Constituição, a Atricon procura traduzir em tom técnico e institucional a reação às declarações de Milei. A nota funciona, simultaneamente, como defesa da soberania e como lembrete de que desacordos entre governos não podem se transformar em ataques pessoais contra magistrados e instituições responsáveis pela segurança jurídica.