A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), realizada em Washington nos dias 6 e 7 de julho, não define por si só a aplicação da proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. O encontro é uma das fases previstas pela Seção 301 da Lei de Comércio americana: serve para colher argumentos de empresas, entidades e especialistas antes da decisão final do órgão.
Com cerca de 85 inscritos, as exposições foram divididas entre os dois dias; não houve transmissão ao vivo, mas o USTR deve divulgar a transcrição. Entre os participantes estavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que pediu adiamento de 180 dias — e o ex-diretor-geral da OMC Roberto Azevêdo, representando a CNI. O governo brasileiro enviou de última hora uma observadora para acompanhar os debates. Todos os depoimentos e documentos passam a integrar o processo administrativo e serão considerados pelo painel do USTR.
O procedimento decorre de investigação iniciada em julho de 2025 e concluída em junho deste ano, quando o USTR propôs formalmente a sobretaxa de 25% com base em problemas apontados em seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento (incluindo o Pix), tratamento de tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro contesta as conclusões. A expectativa oficial é que o resultado seja anunciado até 15 de julho. É importante notar que esse processo formal difere das tarifas anunciadas em 2025 no âmbito da Casa Branca, embora ambos integrem um endurecimento da política comercial dos EUA.
Politicamente, a tramitação acende alerta e amplia desgaste para o governo ao expor setores exportadores a risco tarifário e trazer custo econômico imediato para empresas e consumidores. Institucionalmente, o episódio complica a narrativa oficial e exige resposta diplomática e técnica coordenada: as próximas semanas serão decisivas para a estratégia de defesa do Brasil no USTR e para minimizar efeitos sobre cadeias produtivas e mercados internacionais.